Do Campo aos Bilhões: O que a Estratégia de Marca do Neymar Ensina Sobre Proteger seu Negócio
Descubra a estratégia bilionária de marcas por trás do Neymar e a compra da marca Pelé. Saiba como o INPI funciona na prática e blinde o nome da sua empresa.
BRANDING
Gabriel Couto Teixeira
6/26/20266 min read


Quando você pensa em grandes corporações globais, nomes como Apple, Coca-Cola ou Nike provavelmente vêm à sua mente. No entanto, algumas das marcas mais valiosas e lucrativas do mercado atual giram em torno de pessoas.
A marca Neymar (e sua famosa variação NJR) é o exemplo perfeito de como uma identidade pessoal pode se transformar em um ativo intangível bilionário. De acordo com os dados mais recentes do Extra, o craque faturou R$ 50 milhões, em 30 minutos, após a convocação para a Copa do Mundo – só com publicidade.
Muito além disso, o craque fatura cerca de 32 milhões de dólares anuais apenas fora dos campos, provenientes estritamente de licenciamentos, contratos de publicidade e uso de sua imagem por marcas como Puma e Red Bull.
Mas por trás dessa máquina de fazer dinheiro, existe uma engrenagem jurídica e de branding que a maioria dos empreendedores ignora — até ser tarde demais. Se você quer entender como construir, proteger e valorizar o seu próprio negócio, as decisões estratégicas do ecossistema Neymar guardam lições práticas valiosas para a sua empresa.
De Atleta a Holding de IP: O Caso da Marca Pelé
A prova definitiva de que o grupo que gerencia a carreira do Neymar enxerga marcas como o maior patrimônio possível foi a recente e histórica parceria da NR Sports para assumir a gestão comercial e o licenciamento global da marca Rei Pelé.
Essa jogada de mestre no mercado de Propriedade Intelectual nos ensina duas lições profundas:
A Marca sobrevive ao fundador: Mesmo após o falecimento do Rei do Futebol, a marca "Pelé" continua sendo um dos ativos mais valiosos do planeta. Isso acontece porque ela foi devidamente registrada, estruturada e protegida ao longo das décadas.
O poder do Licenciamento: Ao adquirir esses direitos, o grupo do Neymar passa a monetizar royalties toda vez que a imagem, assinaturas ou o nome do Pelé forem utilizados em campanhas, roupas ou eventos globais. Isso é o poder puro da Propriedade Intelectual: gerar receita passiva escalável por meio de marcas protegidas.
O Branding por trás do Ativo: A Construção do Valor
Aplicando os conceitos fundamentais de David Aaker, um dos maiores nomes do branding mundial, uma marca forte não é apenas um logotipo bonito; ela é uma promessa de valor que gera associações na mente do consumidor.
A identidade visual do Neymar foi meticulosamente desenhada para transmitir dinamismo, exclusividade e modernidade. As variações da assinatura "NJR" criam um ecossistema visual que permite que ele assine desde linhas de perfumes e videogames até coleções de roupas de grife.
Essa consistência de imagem constrói o que chamamos de Brand Equity (valor de marca). É isso que faz com que uma simples camiseta branca passe a valer centenas de reais apenas por estampar aquele radical específico. Mas de nada adiantaria criar esse desejo de mercado se qualquer concorrente pudesse copiar o nome livremente. É aqui que entra o papel da proteção jurídica.
O Raio-X Técnico no INPI: Como a Marca "Neymar" é Blindada
Para manter o monopólio comercial e evitar o uso indevido por terceiros de má-fé, a equipe jurídica do atleta realiza um monitoramento rigoroso e estratégico junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Uma análise técnica no banco de dados do INPI revela que a proteção do jogador não se resume a um único registro genérico. Ela é fragmentada de forma cirúrgica através de uma estratégia de classes específicas (Nomenclatura Internacional de Nice):
Classe 25 (Vestuário e Calçados): Protege o uso da marca em roupas, uniformes, bonés e calçados, garantindo exclusividade total para suas linhas de produtos oficiais e parcerias com marcas esportivas.

Classe 41 (Atividades Esportivas, Entretenimento e Educação): Garante os direitos exclusivos sobre a organização de eventos, torneios institucionais, projetos sociais e conteúdos audiovisuais.

Classe 35 (Propaganda e Gestão de Negócios): Fundamental para blindar as atividades de agenciamento de carreira, exploração de direitos de imagem, licenciamentos e marketing.

A Maior Lição Jurídica: O Nome Civil Não Garante Exclusividade Comercial
Muitos fundadores de empresas cometem o erro clássico de acreditar que, pelo fato de usarem o próprio nome na empresa ou possuírem um CNPJ aberto na Junta Comercial, estão totalmente protegidos.
O caso das grandes marcas prova exatamente o oposto. O direito ao nome civil protege a sua identidade como cidadão, mas não garante o direito de exclusividade na exploração comercial daquele termo no mercado de consumo. Se o jogador não tivesse o registro de marca concedido pelo INPI nas classes certas, qualquer confecção de roupas poderia vender peças com o nome dele legalmente, sem pagar um único centavo de royalties.
O que o Seu Negócio Deve Aprender com Esse Caso?
Se a sua empresa está escalando as vendas, investindo em tráfego pago ou desenvolvendo um novo posicionamento de mercado, deixar a proteção do seu nome para depois é um risco financeiro imensurável.
Se os grandes grupos que gerenciam marcas bilionárias compram e blindam rigorosamente cada uma de suas patentes e variações no INPI, por que você deixaria o maior patrimônio do seu negócio vulnerável? Perder o direito de usar o nome da sua própria marca significa ter que descartar estoques, mudar fachadas, refazer sites e perder toda a reputação construída com seus clientes.
Descubra se a Sua Marca Está Segura Hoje
Muitos empreendedores deixam de proteger seus negócios por acreditarem que o processo é excessivamente burocrático ou caro. No entanto, com a orientação técnica correta, é possível realizar uma análise profunda de viabilidade jurídica e dar entrada no seu pedido com total segurança.
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Perguntas Frequentes Sobre Proteção e Registro de Marcas (FAQ)
1. Posso registrar o nome de um atleta ou pessoa famosa como minha marca?
Não. O Artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial (LPI) proíbe expressamente o registro de nome civil, assinatura ou imagem de terceiros como marca sem a devida autorização expressa do titular ou de seus herdeiros. No caso de grandes marcas como "Neymar" ou "Pelé", o uso comercial não autorizado gera processos por violação de direito de imagem e concorrência desleal.
2. O que são as classes do INPI e como elas funcionam?
As classes do INPI funcionam como uma divisão de mercados baseada na Nomenclatura Internacional de Nice. Existem 45 classes diferentes: da 1 à 34 para produtos e da 35 à 45 para serviços. O registro concede a exclusividade do nome apenas dentro do segmento escolhido. É por isso que, por exemplo, a marca "Neymar" precisa estar blindada na Classe 25 (Roupas) e na Classe 41 (Entretenimento) simultaneamente.
3. Ter o CNPJ aprovado ou o domínio do site garante o direito da marca?
Não, esse é um erro clássico. A aprovação do CNPJ na Junta Comercial do seu Estado apenas impede que outra empresa registre a mesma Razão Social no mesmo Estado. Já o registro de domínio na internet (.com.br) garante apenas o endereço do site. A única instituição no Brasil que concede a exclusividade de uso comercial de um nome ou logotipo em todo o território nacional é o INPI.
4. O que significa "proteger e valorizar" uma marca na prática?
Proteger significa blindar juridicamente o nome da sua empresa contra cópias, pirataria e notificações de terceiros. Valorizar significa transformar essa proteção em um ativo contábil da empresa (intangível), que pode ser licenciado, franqueado, vendido ou usado como garantia financeira, aumentando o valuation do negócio. É exatamente o que a holding do Neymar faz ao assumir e monetizar a marca Pelé.
5. Como fazer uma pesquisa de viabilidade de marca gratuita no INPI?
A pesquisa de viabilidade consiste em fazer uma busca profunda no banco de dados do INPI cruzando semelhanças fonéticas, radicais e classes de mercado para garantir que seu nome não colida com nenhuma marca já registrada. Embora possa ser feita pelo portal do INPI, o ideal é contar com uma análise profissional para evitar erros de interpretação técnica.
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Por Gabriel Couto Teixeira
Advogado Especialista em Registro de Marcas l WIPO (World Intellectual Property Organization)


